Havia chegado o momento. Depois de tanta busca, foi preciso apenas um breve instante. Tudo mudou. Uma fração de segundos. E o dia amanheceu. Um pequeno reflexo. E, ao seu alcance, o paraíso. O intervalo entre duas batidas do seu coração. E agora era possível entender as poesias mais exageradas. Era fácil compreender as canções que tanto se embriagavam daquele sentimento. Porque ele era assim. Exagerado. Arrebatador. Apoderava-se de tudo ao seu redor. Ela conseguia sentir cada aspecto por mais que ainda não o conhecesse. Já escutara alguns comentários anteriormente. Porém, esses mesmos comentários advinham de alguns que acreditavam que poderiam encontrá-lo diversas vezes e isso sempre lhe causava certo desconforto. Talvez fosse uma boa dose de otimismo por partes de tais “alguns”. Uma forma de sair de um relacionamento enlouquecedor já acreditando que pode ser bem-sucedido em uma próxima oportunidade. Um eterno jogo de tentativa e erro. Uma busca desenfreada por porções cada vez maiores. Respeitava, pois afinal quem era ela para julgar o instinto de sobrevivência alheio? Mas desde que se deparara com ele ali dentro de si, ela suspeitava se tratar de um evento único. Como a passagem de um cometa. Fenômeno pelo qual se espera durante muito tempo para presenciar, pois sabe-se que tal fato não se repetirá. Sabia que a beleza daquele sentimento era ligada a sua singularidade. Tal qual uma relação entre grandezas inversamente proporcionais. Quanto menor a semelhança com qualquer outra experiência, maior o encanto. E aquela sensação agora preenchia os seus dias. Tornara-se vital. Enraizou-se nela de forma que não mais seria possível separar as duas. Mas também não estava interessada em divisão. Não agora que tinha uma companheira. Uma fiel escudeira. Não depois que havia descoberto seu nome. E como soava bem! F-E-L-I-C-I-D-A-D-E! E agradeceria mentalmente todos os dias porque ela rimava com "eternidade".
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
domingo, 29 de agosto de 2010
Sobre a luz..
E de repente fez-se o claro. O sol entrava pelas pequenas aberturas da janela e preenchia o lugar com uma luz jamais vista. Os primeiros raios causaram incômodo aos olhos. Mas não demorou muito para que se acostumassem com a beleza que dali surgia. Levantou-se ainda receosa, porém aproximou-se do parapeito para que conseguisse enxergar de onde se originava aquilo tudo. Abriu cuidadosamente a janela. Avistou seu jardim e percebeu que nunca havia notado a variedade de cores que ele possuía. Seus lírios tão adorados agora desabrochavam com muito vigor. A fonte de pedras jorrava água como nunca. As árvores completavam a paisagem com sua frondosidade tão nobre. Conseguiu sentir o cheirinho doce da brisa que fazia os galhos balançarem. Um pássaro prendeu, então, sua atenção. A julgar pelo modo com que balançava suas asas, estaria prestes a alçar seu primeiro voo. Ensaiou um tímido andar até o fim do fino galho em que se encontrava. Provavelmente analisando as consequências daquele ato de sair do ninho e se aventurar por novos caminhos. Tinha a certeza da opção que faria se estivesse no lugar dele e, torcendo para não estar errada, aguardava. E assim ele fez. Com um impulso ágil abriu as asas e voou rumo ao infinito. Aquilo era tão bonito de se contemplar. O céu tinha a cor do mar. Há quanto tempo não observava o mar. Lembrou daquela sensação de sentar na praia, ter o vento batendo no rosto e se perder na imensidão das ondas. A intensidade da lembrança fez com que percebesse que precisava disso tudo de novo. E um colorido diferente surgiu no céu. O coração acelerou. Não poderia ser um arco-íris. Era muito sorte para alguém como ela. Recordou a infância e tantas tentativas de encontrar um tesouro perdido. Mas agora gostava da ideia de saber que era a luz do sol se dividindo em tantas cores quando encontrava gotas de chuva na atmosfera. Tanta luz depois de tanta chuva. Sorriu. E era um arco-iris. Sentia cada partícula do seu corpo sendo preenchida com tanta beleza.
Se aquele jardim era seu e o sol surgia todos os dias no mesmo lugar porque sentia-se tão maravilhada hoje? Envergonhou-se da resposta. Percebeu que nos últimos anos havia colocado travas nas suas janelas e dificilmente permitia que fossem abertas. Entristeceu-se por ter perdido tantos espetáculos como aquele presenciado há minutos atrás. Mas sabia que tinha motivos. Não queria se expor ao frio, à poeira, às folhas soltas. Pensando bem, era tudo com o que havia convivido até hoje. Hoje. Havia algo de mágico e ela era capaz de sentir isso a cada molécula de ar que sua respiração absorvia. Decidiu que não teria mais janelas. De agora em diante construiria uma caminho que a levaria para o seu jardim. Cuidaria dele como se estivesse cuidando dela. Afinal, ele tinha sido responsável por trazer de volta a luz para ela. E em pensar que sempre estivera ao seu alcance. Abandonou esse pensamento. Aprendera em outras vidas que com o tempo não se tem diálogo. É soberano.
E de repente o sol brilhou ainda mais. Talvez para lhe assegurar que seus pensamentos estavam sendo compartilhados. Fechou os olhos por alguns minutos. Precisava gravar cada milímetro daquela imagem, pois um dia poderia não estar mais ali. Tolice! Insensatez! Heresia! Abandonaria esse e todos os outros pensamentos antigos.
Aquele era o seu jardim.
Seu jardim.
Seu!
_______________________
♪ "Sim, tudo agora está no seu lugar..
O Universo até parece conspirar..
Para que não seja tudo em vão..
Tanto tempo esperando esse amor.."
E de repente o sol brilhou ainda mais. Talvez para lhe assegurar que seus pensamentos estavam sendo compartilhados. Fechou os olhos por alguns minutos. Precisava gravar cada milímetro daquela imagem, pois um dia poderia não estar mais ali. Tolice! Insensatez! Heresia! Abandonaria esse e todos os outros pensamentos antigos.
Aquele era o seu jardim.
Seu jardim.
Seu!
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♪ "Sim, tudo agora está no seu lugar..
O Universo até parece conspirar..
Para que não seja tudo em vão..
Tanto tempo esperando esse amor.."
[Amores possíveis - Paulinho Moska]
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Sobre dois..
Havia mais ainda a ser agradecido. Não existia forma.
Havia uma infinidade de sons. Para ela, só o coração dele lhe trazia aquela paz.
Havia um mundo ao redor. Mas apenas ele tinha sido feito para ela.
Havia um abraço. E ela tinha certeza que o tempo parava quando ele estava ali.
Havia uma música. Aquela melodia que já tomara como sua.
Havia um caminho. Precisava ser compartilhado.
Havia uma lua. E a segurança de que ela estaria sempre no mesmo lugar.
Havia um sentimento. Conseguia transpor os limites do tempo.
Havia ela.
Havia ele.
E havia a promessa de uma vida inteira.
segunda-feira, 10 de maio de 2010
..Dream..
Sonho. Incomum. Real. Mas foi sonho. Terá sido sonho?
Era capaz de lembrar dos pequenos detalhes, mas duvidava que tudo ali lhe pertencia. Mas porque aquela estranha sensação ao acordar? E agora pensando um pouco mais... o que teria lhe acordado? Ainda fechou os olhos em uma tentativa de voltar para aquele lugar que lhe passara tanta segurança. Já havia tido êxito em outras ocasiões, mas agora foi em vão. No fundo entendia que aquilo era impossível, mas gostava de se testar. Talvez um dia se surpreendesse com o resultado. Mas sabia que não seria naquela ocasião. Não depois daquele sonho. Ia ser difícil ficar indiferente àquilo.
Havia certa ironia na ideia de buscar consciência na obra-prima do seu inconsciente. Precisava disso para ainda sentir um pouco da lucidez que a abandonava sempre em momentos como aquele. A esse ponto já não importava que tivesse sido um sonho. A partir daquele momento, sabia que uma grande parte do conceito de sonhar envolvia, também, o de despertar. Havia despertado. Era fato. Porque, então, tanta insistência naquele sonho? As respostas vinham facilmente agora. Tudo estivera ali. Então, nada havia de irracional no impacto daquele sonho. Mas não queria apenas impactos. Nunca se satisfez com a superficialidade. Sempre almejou mais. Tivera lampejos de luz, de calmaria, de conforto. E tudo no pacote daquele sonho. Isso talvez tivesse feito com que despertasse. De qualquer forma aquela realidade alternativa tão nova precisava ser sua. E o sorriso ali apareceu. Era um sorriso sem jeito, diferente, sem prática.
Não seria capaz de dizer quanto tempo havia ficado perdida nessa viagem por aquele sonho. Uma imagem inesperada, uma expectativa imaginada. Esforçava-se por entender aquela sensação. Percebeu que não cabia a ela essa dimensão. Resolveu que guardaria aquele sonho. E não deixaria o tempo levar a memória dele.
Daquele sonho. Incomum. Real. Mas que havia sido seu sonho.
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♪ "Vamos acordar..
Hoje tem um sol diferente no céu..
Gargalhando no seu carrossel..
Gritando nada é tão triste assim.." ♪
Gargalhando no seu carrossel..
Gritando nada é tão triste assim.." ♪
[Tudo novo de novo - Paulinho Moska]
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