terça-feira, 30 de agosto de 2011

Só(r)riso




Tem aquele que acalma...
E também o que desperta...
O sorriso que afaga...
E aquele que espera!

Existe ainda o que ilumina...
Aquele que sonha...
Tem o que me instiga...
E o que diariamente me  emociona!

Tem o sorriso separado...
Aquele de cantinho silencioso...
O de sexta tão esperado...
E o sorriso preguiçoso!

Há o sorriso que chora...
E o sorriso que prende...
O de criança que implora...
Mas melhor ainda é o que surpreende!

Há o sorriso que beija...
O que com o olhar promete...
Há o que viceja...
E aquele que se compromete!

Há ainda o que me faz rir...
E também o que me faz suspirar...
Aquele que ajuda o meu mundo a construir...
E o que faz o meu universo parar!

Existe o sorriso que ensina a amar...
E o que me traz a verdade...
Há aquele que junto ao meu quer caminhar...
E o mais perfeito de todos.. aquele que me mostra o que é a felicidade!

domingo, 31 de julho de 2011

Carta


Inicio este texto, amigo, desculpando-me pelo título. Ainda não sei ao certo porque o escolhi ou talvez saiba e meu inconsciente fica encarregado de não me deixar perceber. Talvez seja porque é dolorido admitir que uma carta envolve longas distâncias. E distâncias envolvem caminhos diferentes. Que caminhos, amigo, tomastes? Tomei? Tomamos? Qual curva nossa amizade adentrou? Nossa foto permanece colorida, nítida, imponente. Tal qual um desafio à soberania do tempo. Tempo! Quantas vezes nós também o desafiamos! Prometemos que não seria ele a abalar uma estrutura como a nossa. Desdenhávamos dessa possibilidade tão descabida. Promessas! Um futuro bom apesar de todos os malabarismos da vida. E foram incontáveis as cordas-bambas sobre as quais tivemos que caminhar. De quantos trapézios tivemos que cair! Mas sabíamos que a arquibancada era o local onde um estava sempre presente para aplaudir o espetáculo do outro. E agora paro para pensar um pouco. Que cenas estarás tu a representar ultimamente? Ainda continuas a frequentar o mesmo picadeiro? Silêncio. Houve um tempo em que ele era reconfortante. Bastava apenas a presença, ainda que não fossem encontradas palavras. Atualmente o silêncio tem sido sofrido. Em nossos últimos encontros, ao acaso, recordo-me de buscar em ti algo que me fizesse reconhecer-te. Mas não estava mais lá. Os conteúdos, as formas e as linhas ainda permanecem. As cores, expressões e essências não consegui encontrar. Entristeço-me com essa confissão. Tu sabes que apontar o dedo sempre foi mais dolorido para mim.
Finalizo essa carta, amigo, com a esperança de que ainda te recordes da simplicidade, da pureza, da intensidade e da completude do sentimento que chamávamos de amizade!

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Espelho


Vejo-me refletida naquele lugar.
Ali posso sentir, buscar, sonhar.
Posso ser um pouco de tudo.
Posso sorrir, me perder e me encontrar.
Ali vejo uma criança a chorar
E, ao mesmo tempo,
A mulher que aprendeu a confiar.
Há coisas que só percebo naquele lugar.
A felicidade, a proteção e o universo a cantar.
Sinto forças para seguir, avançar
E o mundo inteiro conquistar!
Permito-me caminhar.
E encontro a paz apenas nesse lugar.
É lá, e somente lé, que eu posso amar.
Vejo-me refletida naquele lugar.
E percebo que esse espelho é o seu olhar!