sábado, 10 de outubro de 2009


E tudo é sempre culpa do pobre coitado do coração..

Se ama demais, é porque não mede as conseqüências..

Se amou de menos, não se entregou o suficiente..

Se acelera quando não deve, é infantil..

Se parou de bater, foi um fraco..

É quase um órgão independente.. deveria, então, ter vida própria?

E é tão mais fácil culpá-lo! Ainda se tem aquela ilusão de controle quando se acredita que o coração agiu sem nosso comando. A responsabilidade é toda dele, afinal foi ele que abusou do poder que tem!

Essa semana li algumas frases que me causaram inquietação de um texto sobre a "simples" possibilidade de um coração sarar. Era quase como uma capacidade regenerativa tal qual qualquer tecido conjuntivo do corpo humano. Talvez tenha sido meu instinto protetor que me fez discordar. Ou a visão superficial do autor do texto. Não sei, de fato, o que fez minha resistência dar sinais de vida.

Houve uma época em que eu acreditava apenas no amor.. na pureza do sentimento, na forma de expressão, na capacidade de transformação através dele. Mas o tempo sempre age com maestria e com ele também chegam os calos, os dissabores e ficam os resquícios. Os resquícios! Sempre eles! Ficam levemente desacordados, mas constantemente em alerta. Ainda assim, valia a pena buscar novos sentimentos mesmo que trouxessem consigo novos resquícios.

Hoje essa premissa vira um questionamento pra mim. E tenho decidido optar pela resposta negativa. A ordem se inverteu. Não tem tido sentido encontrar novos resquícios ainda que possam trazer novos sentimentos. E esse coração só tem buscado reciprocidade.. não é mais tão fácil ultrapassar a fortaleza que construiu ao seu redor. Desistiu? Em processo! Já não acredita na plenitude, no projeto sublime, no encontro. Acha injusto o que tão pouco aprecia pro tanto que aguarda. De repente, só precisa que lhe provem o contrário.

Por enquanto ele continua seguindo.. sem rumo.. ou melhor, sem destino.

Porque a estrada é sempre a mesma.. o que muda é apenas o que se pode encontrar no final dela.
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♪ "..Assim como o oceano só é belo com luar..

Assim como a canção só tem razão se se cantar..

Assim como uma nuvem só acontece se chover..

Assim como o poeta só é grande se sofrer..

Assim como viver sem ter amor não é viver.." ♪

[Tom Jobim e Vinícius de Moraes]

terça-feira, 28 de julho de 2009

?!

Iniciando esse blog hoje.. não sei se vai pra frente.. e muito menos quanto vai durar..
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Na tentativa de clarear minha incompreensão busquei dentre tantos “sábios” algumas linhas.. e me deparei com “a vida é a arte do encontro” (Vinicius de Moraes). Encontrar, então, seria uma a arte. Eu diria que ninguém sabe o que busca até que o encontre. Mas como saber que o que se encontra é o que se busca? Apenas se sabe? Apenas se sabe.. e quando se encontra o que não deveria ser buscado? Qual caminho percorrer quando se encontra tudo e nada ao mesmo tempo? É sempre preciso um fim para um novo começo! Ansiosamente busco um novo começo.. e silenciosamente percebo mais um fim..
Entre cada lágrima e cada sorriso tem uma distância mínima.. mas uma projeção gigantesca! Lágrima que toca na cicatriz.. sorriso que tanto já confortou a alma!
Alma.. de que é feita? O que ela precisa encontrar? O que ela ainda precisa perder? Hoje o filme que assisto é saudade.. de um futuro que não vai chegar.. de um passado que insiste em não ficar no seu lugar.. de uma vida repleta de sons, cores, formas.. mas que já não são mais meus sons, minhas cores, minhas formas.. Então porque encontrar tudo isso? Qual teria sido o objetivo? O vislumbre de um dia ensolarado? A pequena parcela do arco-íris? Onde se esconde a arte disso tudo?
Sim.. a vida, às vezes, é fria! Como se conjuga o verbo “esquecer”? Apenas se esquece assim como apenas se ama? O amor.. brota não sei de onde e sabe-se lá o porquê! Inspira.. eleva o ser humano.. enobrece! Mas é tão difícil de ser definido! Arriscaria dizer que não há definição.. nem consolo.. nem fuga! É ele ou é ele.. Será que também se encontra o amor? Alguém me viria com uma frase de efeito “o amor é que encontra a gente”.. mas qual o efeito disso? Qual a melhor opção para uma convivência saudável com ele e com o peso todo que traz consigo?
Ainda não sei exatamente o que buscar.. seria, então, paradoxal saber exatamente o que quero encontrar?
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♪ "..Take this sinking boat.. and point it home.. we've still got time.. raise your hopeful voice.. you have a choice.. you've made it now.." ♪ [Falling slowly - Glen Hansard e Marketa Irglova]